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domingo, 30 de agosto de 2015

Capítulo 4:

Dois meses antes...
            José acordou mais uma vez em menos de uma hora, por um momento sem lembrar onde exatamente estava. Rapidamente lembrou quando viu as paredes pichadas e a luz do sol que iluminava fracamente por meio de rachaduras, indicando o Sol estar se pondo no ocidente. As costas doíam por estar deitado naquele cubículo com mais dois homens que achavam que eram o dono do lugar. Os primeiros meses foram os mais difíceis. Quando os carcereiros descobriram o motivo de José estar ali, espancaram-no várias vezes.
            Era sábado. Dia dos pais. Mais um que ele iria passar sem receber a visita de seu filho. A cada ano que passava sem receber sua visita, mais seu ódio aumentava por Helena ser tão injusta e afastar o garoto dele tão radicalmente. Sem falar que a vontade de beber aumentava cada vez que José saia para comer no refeitório. Enquanto as auxiliares de cozinha serviam seu suco, o barulho do líquido caindo no copo o atormentava, fazendo-o lembrar-se das noitadas sentado na mesa de bar, acompanhado de sua cerveja, doses de uísque e o ritual que todos ali conheciam. “Garçom...”, e eles já traziam sua próxima rodada. Foram várias noites assim desde que descobriu na adolescência sua compulsão por álcool, que antes era só uma diversão entre os amigos que alegavam que ele precisava ser mais descolado. Foi quando em mais um dia de ressaca, arrumando desastradamente seus óculos, avistou a menina mais linda que acabara de esbarrar na pracinha da cidade local. E esta era Helena, a qual escolheu construir sua família e dividir suas mágoas do passado, fazendo-a sofrer cada vez que o efeito do álcool estava sobre seu domínio.
            E durante a visitação do dia dos pais, uma rebelião aconteceu.  E em meio à confusão, José fugiu.
           
Dias atuais...
− Preciso de um grande favor. – Pediu Helena para a pessoa do outro lado da linha, sem esperar sua resposta.  – Não vou mais fugir. Chega disso. Estava muito bom enquanto José estava preso...
            − Mas quem diabos é José, Helena? Estou preocupado, você nunca me disse nada sobre seu passado.
            Passaram-se alguns segundos em silêncio, pensava se deveria falar sobre isso. Nunca havia falado disso com ele, apenas esquivava quando o assunto era seu passado.
            − Escute-me! Só preciso de sua ajuda. Estou indo aí com meu filho. Conto para você pessoalmente. Até breve, saio daqui a duas horas.
            Faltavam apenas alguns minutos para Helena sair no horário combinado. Ela estava apreensiva e o nervosismo tomava conta de seu corpo. As mãos estavam geladas, combinando com o clima que estava do lado de fora de sua casa. O vento soprava por debaixo da porta, fazendo a mesma forçar como se por um impulso fosse quebrar. Quando um barulho seco e grave pode-se ouvir de fora. “O que foi isso?”, pensou ela. Parecia não ter atingido nada, apenas estava próximo demais.
            Era um disparo.

                                               

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