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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

         Capítulo 8
          Assim... Para a surpresa dos policiais, o tiro acertou em Helena que foi  levada às pressas ao hospital, pois estava gravemente ferida e já havia perdido muito sangue. Pedro, infelizmente, não pode acompanhar Helena nesse momento tão trágico, pois teve que ficar à espera dos policias.  E José, muito ardiloso conseguiu sair dali sem que ninguém percebesse.
         Durante um mês Helena ficou no hospital, por ter várias complicações e ainda sequelas que o aquele ocorrido iria deixar, uma delas foi que Helena não poderia mais andar, pelo menos não por um tempo. Mesmo cheia de problemas, a sua maior preocupação era seu filho. Como uma mulher em cadeiras de rodas conseguiria cuidar de um filho, pensava ela. Mas nesse momento ela tinha que se mostrar forte, então começou a pensar positivo e que iria conseguir subir obstáculos e decidiu que conseguiria, juntamente com a força e ajuda de Paulo, que em todos os momentos estava junto a ela.
         O tempo foi passando e eles já haviam quase esquecido de um de seus maiores problemas, José, o homem continuava foragido e podia ser um risco para Helena e todos ao seu redor.
        O grande dia chegou, Helena recebeu a tão esperada alta no hospital, Pedro juntamente com Paulo foram  buscá-la  no hospital, comemorando tanto quanto ela. Paulo novamente dando apoio a Helena e  para ajudá-la  ficou morando com   ela, pelo menos até Helena se estabilizar, pensava ele. O que os dois não esperavam é que o amor poderia bater em sua porta novamente, depois de algum tempo Helena e Paulo estavam apaixonados e logo mais, já estavam noivos.
        A notícia de que iriam se casar correu pela cidade em que moravam, o que começou a preocupar Helena, a única que não havia esquecido de José e do que ele era capaz de fazer. O medo de José aparecer no dia de seu casamento começou a incomodar Helena e as pessoas próximas dela. Mas a mulher pensava que não podia perder um momento tão único por conta de alguém que já havia arruinado sua vida uma vez, precisavam de uma solução e foi aí que surgiu a ideia de policiais estarem ali disfarçados durante a cerimônia, caso José aparecesse.
          Dito e feito, no dia do casamento de Helena e Paulo, José apareceu e se não fosse por conta dos policiais que ali estavam disfarçados, a cerimonia estaria arruinada. Depois de alguns dias,  os recém-casados ficaram sabendo do destino de José que seria ficar preso durante cinco anos, mais tranquilizada com aquela notícia, Helena seguiu sua vida com sua nova família.
         O tempo não para, e Helena e Paulo continuaram firmes em seu casamento, com muito orgulho de sua família e de seu filho José, que por ser muito estudioso e disposto, conseguiu uma bolsa de estudos e foi estudar fora do país.

          E José? Bem, o final dele foi bem surpreendente. Após sair da prisão, o mesmo foi atrás de ajuda profissional para tentar se recuperar e com muita força de vontade finalmente conseguiu. Claro que isso levou alguns anos e ele continua frequentando os profissionais sempre que possível, mas segundo ele valeu a pena todo esse sacrifício e não foram apenas essas coisas boas que aconteceram a José, ele conseguiu constituir uma nova família que hoje, vive feliz e saudável.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

 Capítulo 7:

         Minutos antes do encontro, Helena havia procurado seu grande amigo Paulo, o mesmo que ligou para pedir o grande favor de fugir para sua casa e que conhecera dois anos após o ocorrido com José. Paulo era um homem alto, de cabelos e barba rala, dos olhos azuis e trabalhava na mesma escola que Helena.
         Helena havia chamado Paulo para lhe ajudar, em curto intervalo de tempo  contou o que estava acontecendo e o motivo de seu desespero. Paulo ouvindo a Helena, lembrou-se de seu passado, no qual viveu a mesma situação com seus pais, e sem êxito aceitou ajudá-la.
         Paulo ficou a espreita observando o encontro de Helena e José, estava determinado a qualquer momento ajudá-la, mesmo correndo risco de vida. Viu a aproximação de Helena ao banco onde José estava sentado.
         Helena disse então:
          - Bom... José, eu decidi que...- tossiu como se tivesse algo em sua garganta, impedindo-a de falar- Vejo que está determinado a mudar e ser outra pessoa, mas nesse meio tempo em que você estava na cadeia eu conheci um rapaz...
         Sem mesmo deixar ela terminar a frase, José deu-lhe um tapa em seu rosto dizendo:
        - Sua vagabunda, após tudo o que  passamos juntos, você irá fazer isso comigo?
         Paulo,  ao ver a situação correu ajudar Helena, quando próximo da cena percebeu que José havia tirado um revólver de cintura. E num  ato de heroísmo, segurou a mão de José movendo-a para cima, fazendo com que ele disparasse duas vezes. Com o barulho dos disparos,  alguns policiais, que estavam na  esquina do parque, ouviram e foram prestar socorro.

         Assim...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Capítulo  6:
       Sim, era José, com uma cara de louco delinquente, olhando fixamente nos olhos de Helena:
            - Estou aqui... Quanto tempo, não?!
            - Para mim, passou tão rápido, por mim você deveria ficar lá o resto de sua vida!
          José chamou Helena para sentar em um banco e fez inúmeras propostas e pedidos para que eles voltassem, porém, todas em vão... Helena estava convicta de que jamais queria conviver sob o mesmo teto com aquele homem novamente. Só de pensar nisso, vinham os flashes dos momentos de pavor e angústia de quando ela era espancada, que, por muitas vezes, sequer tinha motivo.
            Pedro estava ali perto, apenas observando os pais conversarem, ele estava até um pouco assustado, porque antes nunca vira seus pais conversarem, apenas via seu pai espancando sua mãe sem piedade alguma.
            Após muita conversa e pedidos  de José para reatarem o casamento, Helena pede alguns minutos para dar uma volta e conversar com seu filho e José compreendeu “numa boa”.
            “Tem algo muito estranho, nunca vi o José dessa maneira, o que será que ele está tramando?”  – Indagou Helena a si mesma enquanto ia chamar Pedro para dar uma volta.
            José prosseguia sentado, aparentemente concentrado, seus olhos acompanhavam Helena durante o breve passeio com seu filho.
            Helena tentou aproveitar o maior tempo possível com o filho para perguntar como andara seu pai que aparentava ter mudado.
 Pedro, ao ser questionado alguma vezes, respondeu que ele ficava com uma babá enquanto seu pai dizia que ia procurar emprego.
          - Fico com uma babá enquanto o pai vai procurar um emprego, mas ele sempre volta falando que está difícil, ele também diz que está com saudade de você, mamãe. – disse Pedro
            Na realidade, José saía para beber, sustentando seu vício, e só regressava para casa quando o efeito passava e mentia para seu filho dizendo que estava procurando um emprego. O homem tinha em seu coração um misto de desejo e ódio por Helena, a jovem era atraente e uma boa mãe e ao mesmo tempo o mandou para a cadeia, isso era suficiente para ele ter em si mesmo um conflito enorme entre amar e odiar uma pessoa, o que o fazia beber ainda mais, cada vez mais... Sempre em doses maiores e bebidas mais fortes!
         A fala de Pedro também causou um reboliço na mente da jovem que agora questionava ela mesma.
         “Meu Deus, José está aparentemente se tornando um homem correto, largando o álcool e cuidando bem do nosso filho. E agora? É mais uma armação ou ele realmente está mudado? Tenho medo de voltar com ele e as coisas serem como eram antes, e, eu não quero mais sofrer, quero ser feliz!”  – essa conversa interna de Helena fez com que a moça se desligasse  do mundo.
         Helena estava pensativa, no deleite de voltar ou não voltar, sofrer eternamente ou ser feliz, apanhar todos os dias ou viver livre com seu filho... Ela tomou uma decisão, parecia certa sobre sua escolha!
         Segurou a mão de Pedro e voltou ao banco onde José estava sentado, e disse certeiramente:

         - Bom... José, eu decidi que...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CAPÍTULO 5
          Mais um disparo foi ouvido e o pior, desta vez Helena  havia sentido. Ao olhar para sua blusa, deparou-se com muito sangue, que rapidamente se alastrava, manchando sua camisa branca de renda e sua pele aveludada. Apavorou-se. Não demorou muito para seu corpo amolecer e, logo, Helena se viu estirada no chão. Seu filho não sabia o que fazer, estava muito assustado.
De repente, ambos começaram a ouvir passos, esses que pareciam se aproximar cada vez mais de Pedro e sua mãe. E lá estava, diante de Helena, o seu maior pesadelo: era José. A mulher, já com a vista embaçada, viu seu ex-marido se afastando e levando junto de si, seu amado filho. Só conseguia gritar, o que era em vão, pois seus gritos já estavam quase mudos, e a jovem foi perdendo seus sentidos até que apagou totalmente.
         Algum tempo depois, Helena abriu os olhos e uma luz branca os invadiu, forçando-a a fechá-los novamente. Tentou se mexer, mas uma dor tomava conta do seu corpo. Foi se acostumando com a claridade e, finalmente, percebeu que estava em um hospital. Tentou por vezes levantar, mas estava cheia de fios, e aos poucos foi lembrando vagamente o que aconteceu; até que se deu conta de que Pedro não estava por perto. Entrou em desespero. Começou a gritar por seu filho, que agora estava nas mãos de seu ex- marido. Debatia-se e tentava sair daquela maca velha de hospital público, já não ligava mais para a dor, porém enfermeiros foram chamados para acalmá-la, embora fosse a última coisa que iriam conseguir.
 Helena estava entrando em colapso, seu tesouro, a razão de sua vida, seu precioso filho foi levado por um covarde homem frio, e agora o menino podia estar correndo risco de vida. Infelizmente, nada podia fazer, a não ser contatar a polícia, o que já havia sido feito.
          Dias passaram, e Helena recebeu alta do hospital. Nada de notícias de seu filho, até que um dia o telefone tocou. Era José. Ela cogitou em desligar,  porém pensou em Pedro, que estava sobre o poder do pai e então, continuou. José fez inúmeras ameaças  em troca da liberdade de Pedro, queria se encontrar com ela, pois para José, eles ainda tinham muito o que resolver. Helena não pensou duas vezes, e mesmo que  todos a quem relatou o pedido do homem não concordando com sua decisão, aceitou a proposta de José.
         Na data e local marcado, lá estava Helena. Assim como no dia em que foi denunciar o ex-marido, estava  apreensiva, suas mãos transpiravam horrores, mas dessa vez a segurança de seu filho estava em jogo.  Então,  conteve o nervosismo e prosseguiu. Assim que avistou o filho, Helena se acalmou ainda mais por ver que ele estava bem, somente um pouco assustado pelo ocorrido. José ainda não tinha aparecido, e foi então que Helena aproximou-se de Pedro, o abraçou com tamanha alegria por reencontrá-lo, e por alguns instantes parecia que seus corações pulsavam na mesma sintonia, com mesma intensidade. Instantaneamente, as lágrimas vieram à  tona, aquilo era puro desabafo de suas almas que por noites permaneceram desesperadas.
 
         Mas, Helena sentiu um toque em seu ombro, que interrompeu aquele momento cheio de paixão, e quando se virou para ver quem lhe havia tocado...


domingo, 30 de agosto de 2015

Capítulo 4:

Dois meses antes...
            José acordou mais uma vez em menos de uma hora, por um momento sem lembrar onde exatamente estava. Rapidamente lembrou quando viu as paredes pichadas e a luz do sol que iluminava fracamente por meio de rachaduras, indicando o Sol estar se pondo no ocidente. As costas doíam por estar deitado naquele cubículo com mais dois homens que achavam que eram o dono do lugar. Os primeiros meses foram os mais difíceis. Quando os carcereiros descobriram o motivo de José estar ali, espancaram-no várias vezes.
            Era sábado. Dia dos pais. Mais um que ele iria passar sem receber a visita de seu filho. A cada ano que passava sem receber sua visita, mais seu ódio aumentava por Helena ser tão injusta e afastar o garoto dele tão radicalmente. Sem falar que a vontade de beber aumentava cada vez que José saia para comer no refeitório. Enquanto as auxiliares de cozinha serviam seu suco, o barulho do líquido caindo no copo o atormentava, fazendo-o lembrar-se das noitadas sentado na mesa de bar, acompanhado de sua cerveja, doses de uísque e o ritual que todos ali conheciam. “Garçom...”, e eles já traziam sua próxima rodada. Foram várias noites assim desde que descobriu na adolescência sua compulsão por álcool, que antes era só uma diversão entre os amigos que alegavam que ele precisava ser mais descolado. Foi quando em mais um dia de ressaca, arrumando desastradamente seus óculos, avistou a menina mais linda que acabara de esbarrar na pracinha da cidade local. E esta era Helena, a qual escolheu construir sua família e dividir suas mágoas do passado, fazendo-a sofrer cada vez que o efeito do álcool estava sobre seu domínio.
            E durante a visitação do dia dos pais, uma rebelião aconteceu.  E em meio à confusão, José fugiu.
           
Dias atuais...
− Preciso de um grande favor. – Pediu Helena para a pessoa do outro lado da linha, sem esperar sua resposta.  – Não vou mais fugir. Chega disso. Estava muito bom enquanto José estava preso...
            − Mas quem diabos é José, Helena? Estou preocupado, você nunca me disse nada sobre seu passado.
            Passaram-se alguns segundos em silêncio, pensava se deveria falar sobre isso. Nunca havia falado disso com ele, apenas esquivava quando o assunto era seu passado.
            − Escute-me! Só preciso de sua ajuda. Estou indo aí com meu filho. Conto para você pessoalmente. Até breve, saio daqui a duas horas.
            Faltavam apenas alguns minutos para Helena sair no horário combinado. Ela estava apreensiva e o nervosismo tomava conta de seu corpo. As mãos estavam geladas, combinando com o clima que estava do lado de fora de sua casa. O vento soprava por debaixo da porta, fazendo a mesma forçar como se por um impulso fosse quebrar. Quando um barulho seco e grave pode-se ouvir de fora. “O que foi isso?”, pensou ela. Parecia não ter atingido nada, apenas estava próximo demais.
            Era um disparo.

                                               

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Capítulo 3:  Um Pesadelo Atordoante
Passados cinco anos, desde que José foi preso, Helena consegue estabilizar sua vida, trabalhando em uma escola cujo salário era razoável e podia deixar seu filho Pedro junto das crianças da escola. Sentia que sua vida poderia dar certo e assim ter novos sonhos e objetivos para ela e seu filho, sentia que poderia ser feliz novamente, mas nunca deixou de pensar no que aconteceria se José saísse da prisão.
Depois de dez traumáticos anos de sofrimento ao lado daquele homem, Helena ainda se sentia oprimida , com medo e receio.  Nunca deixou de ter os mesmos pesadelos e nunca deixou de se esquecer do que José disse: "Um dia eu sairei de lá de dentro". Assim, pensava ela em procurar ajuda para que pudesse vencer  esse trauma.
Com medo do que poderia acontecer quando Pedro saísse da cadeia, Helena guardou dinheiro para que pudesse fugir com seu filho caso necessário.  Também  procurou por psicólogos, mas nenhum podia ajudá-la. Tudo em sua mente era o medo e uma única certeza: Ela poderia arriscar sua vida, mas nunca mais deixaria aquele monstro encostar em seu filho.
Os anos se passavam e Helena sempre trabalhando e cuidando para que Pedro tivesse o melhor. Em uma tarde, quando estava voltando do trabalho encontra em seu correio um bilhete, escrito em um pequeno papel amassado e um pouco sujo o que ela mais temia, "Olá, eu já saí".  Ao ler isso, seu coração parou "aquilo não podia ser verdade, faltava mais tempo para que ele fosse solto" ela pensava enquanto em passos lentos entrava em sua casa, encontrou sua irmã chorando desesperada.
 — O que aconteceu? - Perguntou Helena assustada, temendo o pior.
 — José fugiu da prisão, ele está por aí - respondeu  com pavor na voz.
Tudo que Helena pensava era que a verdade estava ali na sua frente, seu maior medo havia se tornado realidade e ela não podia ficar parada vendo sua vida ruir.
Helena estava desesperada, sabia que algo muito ruim poderia acontecer a qualquer momento, sendo assim, pegou algumas roupas, apenas o necessário para alguns dias e seus documentos, pegou todo o dinheiro e saiu de casa naquela noite fria.
 — Para onde estamos indo mamãe? - Perguntou Pedro sem saber da situação.
 — A gente vai para um lugar seguro, vamos dormir e de manhã vamos viajar para um lugar muito bom, um lugar que eu tenho certeza de que você vai gostar! - Respondeu Helena tentando alegrar seu filho.
Depois de horas dentro de um ônibus, chegaram até um hotel, o mais simples da região. Pedro olhou para sua mãe que deitada na cama chorava muito e perguntou:
 — Por que você esta chorando, mamãe?
Helena tentando esconder a grande dificuldade que estava passando em sua vida respondeu:
 — Não é nada, filho, a mamãe vai ficar bem, agora vamos dormir porque amanhã a gente vai viajar para um lugar muito longe daqui!
Helena não estava conseguindo dormir por causa do incidente.  Então, se levantou e foi beber algo. Pedro vendo o desespero da mãe, ajoelhou -se diante da cama e começou a rezar pedindo a Deus que o fortalecesse para continuar de pé ajudando sua mãe.
Helena viu aquilo e  se emocionou.  O seu filho rezando pela sua proteção e de sua mãe, então sentiu  que daquele instante tudo poderia  mudar!

Assim,  Helena teve uma ideia, arrumou as malas e fez um telefonema...

segunda-feira, 20 de julho de 2015

A História: 2º capítulo

Capítulo 02:
Dez anos atrás
Helena era uma garota comum, morava no interior de Minas Gerais e sempre sonhou com uma vida melhor e com ela compartilhar o marido  “dos sonhos’’, mesmo sabendo que o homem perfeito não existe, continuou acreditando nesse ícone, e foi assim que conheceu José.
Era mais um dia de sol, na pracinha onde Helena costumava se encontrar com sua melhor amiga. Ambas estavam sentadas em um dos banquinhos centrais e foi ai que avistaram um menino muito bonito, um tanto tímido, que arrumava seus óculos desastradamente. Helena, não sabia o porquê, mas algo a chamou atenção, por isso passava a todo instante ao lado do jovem e foi neste minuto de distração que sem perceber esbarrou em José, ele sorriu e ela deu seu sorriso mais retraído e espontâneo, sua amiga avistava tudo de longe e de alguma forma sabia que isto ia dar romance.
O tempo passava, e a cada dia Helena se mostrava mais apaixonada, palavras eram sussurradas, juras eram escritas por olhares e cada sorriso era a agitação do seu coração. José também estava apaixonado, isso era inegável, sonhava com o dia em que se casaria com esta maravilhosa mulher. Tudo nela o encantava, era batalhadora, fazia mundos e fundos para conseguir atingir suas metas, o seu sorriso era a chama do desejo em sonhar, mas, ao mesmo tempo em que sentia tanto amor, algo o amedrontava, a compulsão da herança em beber.
Tempos atuais
Era apenas mais um sonho que Helena teve durante as noites, de praticamente os quatro anos em que José esteve preso era algo normal relembrar os momentos felizes em que eles tiveram juntos, no entanto, durante todo este período muita coisa havia mudado em sua vida.
A primeira foi a mudança de casa que ela e o seu garotinho fizeram,  um mês depois da prisão de seu ex-marido, no dia mais triste, e o olhar mais acusador referido a ela, a saída de José algemado foi ao mesmo tempo um choque e um alívio, ela sentou em seu sofá e sabia que uma vida nova tinha que começar, e foi o que fez, neste mesmo dia, deixou seu filho com a vizinha e saiu às pressas à procura de um emprego, sabia que  tinha potencial, era uma excelente professora e começou pela escola principal. Lá achou um emprego perfeito e iniciou sua rotina de aulas e cuidar de seu filho.
Ainda lembrava claramente as palavras que trocou com seu filho, naquela tarde, quando retornou da escola, o  seu pequenino filho disse :
- Mamãe, onde você esteve este tempo todo? Cadê o papai? Ele não vai voltar?
- Meu amor, mamãe estava procurando um emprego, seu papai não vai voltar mais, se lembra quando ele assustava você e batia na mamãe?
O menino balançou a cabeça e perguntou :
- Sim, mamãe, eu me lembro, maais o ppapai não vai voltar ?
Helena sabia que era hora de contar a verdade e foi o que fez.
- Meu garotinho, seu papai vai estar em um lugar onde vai pagar pelas coisas que fez de errado, um dia eu irei explicar todinho para você, mas saiba que talvez em um futuro você possa ver seu pai, e enquanto isso eu e você iremos nos divertir muito. Topa?

- É claro mamãe, e eu te amo muitão, tá ?!